Fontes alimentares de vitaminas e minerais importantes durante a gestação
Débora R. Oliveira
As reservas de alguns micronutrientes – vitaminas e minerais - apresentam uma lenta e gradativa diminuição à medida que avança a gestação.
Algumas vitaminas do complexo B, como B6, B3 e B12 têm suas necessidades diárias aumentadas em aproximadamente 40% para as gestantes quando comparadas com mulheres não grávidas.
Apresentam-se a seguir as listas de alimentos ricos em diferentes vitaminas e minerais específicos para esse período.
Vitamina A: importante para o crescimento adequado e desenvolvimento perfeito do bebê.
Seu consumo adequado pode prevenir defeitos congênitos, desenvolvimento inadequado do bebê, baixo peso ao nascer e risco de parto prematuro. Além disso, promove crescimento adequado dos ossos, aumenta a resistência contra infecções, possui efeito protetor de pele e mucosa e auxilia na cicatrização.
Alimentos fonte de vit. A: queijo, manteiga, fígado, miúdos, peixe, gema de ovo, cenoura, abóbora, vegetais amarelos ou vermelhos, entre outros
Vitamina D: a deficiência dessa vitamina é pouco comum, pois ela pode ser produzida pelo organismo através da ação da luz solar, porém seu consumo deve ser adequado, sendo recomendado de 5 a 10 mg/dia. A vit. D torna eficiente a utilização do cálcio ingerido na alimentação, fundamental para a formação de ossos e dentes saudáveis do bebê.
Alimentos fonte de vit. D: leite, iogurte e coalhada. Não esqueça de se expor ao sol, pelo menos 15 minutos por dia.
Vitamina C: possui ação antioxidante, fundamental para a melhora da absorção do ferro da dieta.
Estudos recentes associam o consumo adequado de vitamina C com a diminuição do risco de infecções, parto prematuro, eclampsia e outros benefícios. Além disso, aumenta a resistência do organismo a infecções, atua na formação de colágeno e auxilia na cicatrização de ferimentos.
Alimentos fonte de vit. C: frutas, verduras e legumes, de prefência crus. Enbtre eles, os mais ricos nessa vitamina são: acerola, laranja, goiaba, limão, mexerica, morango, pimentão vermelho, caju e mamão.
Ácido fólico: responsável pela prevenção de doenças do tubo neural, malformação fetal e o equilíbrio do sangue, condições obstétricas desfavoráveis. Possui um fator indispensável no equilíbrio do sangue pois atua na formação de glóbulos vermelhos na medula óssea.
Alimentos fonte de ácido fólico: fígado, leveduras, vegetais de folhas verde escuras (brócolis, aspargos, espinafre, rúcula, agrião), ervilha, lentilha, cereais, amendoim, soja e feijão.
Ferro: O ferro é o componente da hemoglobina (células do sangue). Ele se liga aos glóbulos vermelhos do sangue para transportar oxigênio dos pulmões para todas as partes do corpo da mãe e do bebê. Evite o consumo de cafés, chás a base de cafeína, leites e seus derivados pois estes diminuem a absorção de ferro.
Alimentos fonte de Fe: vegetais folhosos verde escuro, feijões em geral, ovos, carnes (especialmente as vermelhas), frutas secas (damasco, pêssego, ameixa preta e uva-passa).
Zinco: o zinco é um mineral importante, pois atua no controle do sistema imunológico participando do metabolismo de radicais livres; a sua deficiência está associada a alterações do sistema neurológico do bebê, dependendo do estágio da gestação.
Alimentos fonte de Zn: peixes e frutos do mar em geral, vísceras e miúdos, amêndoas, amendoim, mel, alface e gérmen de trigo.
Cálcio: a ingestão diária de cálcio durante a gestação deve ser suficiente para suprir as necessidades diárias da mãe, bem como para a formação de tecido ósseo e formação dentária do bebê. O cálcio também atua na proteção do organismo contra infecções, na contração muscular, condução de impulsos nervosos e em diversos processos enzimáticos. Além disso, o cálcio está intimamente relacionado com a produção de alguns hormônios.
Alimentos fonte de Ca: queijos, leites, iogurtes, alguns vegetais como brócolis e couve, manteiga, sardinha, gergelim e leguminosas.
Referências bibliográficas:
Perso, OC. Repercussões clínicas da deficiência de zinco em humanos. Arq Med ABC. 2006;31(1):46-52.
Thiapo AP, Souza LB, Libera BD, Accioly E, Saunders C , Ramalho A. Vitamina A, ferro e zinco na gestação e lactação.Rev Brasileira de Nutrição Clinica 2007; 155-161.
Arruda IKG. Deficiência de ferro, de folato e anemia em gestantes atendidas no Instituto Materno Infantil de Pernambuco: magnitude, fatores de risco e algumas implicações nos seus conceptos [tese doutorado]. Recife: Departamento de Nutrição, Centro de Çiências da Saúde, Universidade Federal de Pernambuco.
Ministério da Saúde. Assistência pré-natal: manual técnico. Brasília (DF): O Ministério; 2000
King JC. Determinants of maternal zinc status during pregnancy. Am J Clin Nutr 2000;71:1334-43.
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Alimentação complemetar após o 6º mês de vida
Débora Maria Bottan
Chega um momento em que apenas o leite não é mais capaz de suprir todas as carências nutricionais do bebê, cada vez maiores em razão de seu ritmo de crescimento acelerado.
Até os seis meses, o leite materno supre todas as necessidades nutricionais do bebê. Entretanto, se a criança é alimentada com mamadeira, será necessário introduzir os alimentos mais cedo, já a partir do 4º mês.
A introdução precoce de alimentos semi-sólidos pode, a curto prazo, sobrecarregar os rins, causar desidratação, desencadear alergias alimentares e deficiências nutricionais. A longo prazo, tornará a criança exposta a problemas como obesidade e hipertensão, além de acarretar queda na resistência imunológica, retardo no crescimento, anemia e diarréia frequentes.
É chegada a hora de introduzir os alimentos e será necessário seguir um roteiro detalhado.
1º Passo – Comece com as frutas! (6 meses)
O ideal é oferecê-las na forma de suco (frutas claras como melão, lima, pêra), sempre com uma colher pequena ou canequinha para não desestimular a amamentação. Esse suco deve ser dado entre as mamadas, pela manhã. Inicie com quantidades pequenas (não mais do que 4 colheres de chá ao dia) e vá aumentando aos poucos.
Após uma semana, comece as papas de frutas, administrando-as também entre as mamadas, iniciando com pequenas quantidades (2 ou 3 colheres de chá). Vá aumentando gradativamente e fique atenta à ação das frutas no funcionamento intestinal do bebê.
2º Passo – A primeira refeição salgada ( 7 meses)
Após um mês com as frutas, entra em cena a papinha salgada. Esta sim já deve substituir uma das mamadas. Atenção para não cair naquela velha fórmula do sopão em que vários ingredientes são cozidos juntos, triturados e dados como uma pasta homogênea para a criança.
Esse procedimento não proporciona a criança a oportunidade de diferenciar sabores, texturas e cores dos diferentes alimentos.
Essa papinha salgada deve conter os ingredientes que compõem as refeições da família. Ou seja, vá direto ao arroz com feijão, a base alimentar brasileira. Claro que com as devidas adaptações ao bebê, ou seja: amasse bem o arroz e adicione apenas o caldo do feijão.
Aos poucos, você deve ir juntando outros ingredientes ao pratinho do bebê. Esses alimentos, assim como as frutas, devem ser apresentados para o bebê por 3 ou 4 dias consecutivos para observar as reações do bebê. Caso ele rejeite um alimento, deixe-o de lado durante umas 3 semanas e volte a oferecê-la.
Ao final do 8º mês, é importante que a refeição do pequeno seja composta por pelo menos 1 item dos três principais grupos de alimentos: calóricos (cereais e tubérculos), proteínas (caldo de carnes magras e leguminosas como os feijões), vitaminas e minerais (legumes, verduras e frutas).
É normal, no começo, a criança estranhar a comidinha salgada. Dê 1 ou 2 colheradas e complete a refeição com leite. Vá aumentando aos poucos.
3º Passo – A segunda refeição salgada (8 meses)
Após adaptação da criança à papinha salgada, essa alimentação pode ser programada para o almoço e o jantar.
Nessa etapa, a consistência da papinha vai mudar. Ela já pode ser semi pastosa, ou com pedacinhos de legumes e verduras. A carne já pode ser servida moída, picadinha ou desfiada.
Por volta dos 10 meses, a criança já pode ter no prato o arroz bem cozido, sem amassar, batatas e outros legumes e verduras em pedaços pequenos. Dê na mãozinha dela biscoitos e fatias de pão para mordiscar e ofereça as frutas como sobremesa.
4º Passo – Alimentação semelhante à da família (12º mês)
A partir de agora, a criança passa a comer outros alimentos que já fazem parte do cardápio da família.
Com o sistema digestivo mais amadurecido, o pequeno está liberado para consumir ( com moderação) alguns alimentos não recomendados antes do primeiro ano de vida, como: clara de ovo, leite de vaca, peixes, farinha de trigo, aveia, beterraba.
Nesse período, você terá que ter paciência porque a criança vai querer pegar a comida com amão e brincar com ela. Poderá também rejeitar alguns alimentos em função de estar desenvolvendo preferências e aversões próprias.
É importante lembrar que a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida e após essa idade, o aleitamento materno deve continuar no dia a dia da criança até os 2 anos junto com alimentos complementares.
Referências:
A Hora da Comidinha, Carlos Alberto Nogueira de Almeida. Editora Nova Cultural, 2008.
Uma nova maneira de fazer o desmame. Revista Crescer, São Paulo, p. 34 - 38, 08 dez. 2000
Guia Alimentar para crianças menores de 2 anos. Ministério da Saúde e Organização Pan- Americana da Saúde, 2002.
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